A problemática das amizades

Antes de iniciar o post, tenho de revelar que esta foi uma das publicações mais complicadas de começar a escrever, não sei concretamente o motivo, se é falta de inspiração ou se é devido ao facto de ser um tema complexo porque não quero ser demasiado pessoal e revelar mais sobre o meu círculo de amizades do que o pretendido ou porque não quero ser demasiado genérico parecendo que estou a escrever um artigo vazio para uma revista qualquer.
Já todos num momento mais solitário nos questionámos sobre a velocidade com que o tempo avança, visitámos recordações de infância, adolescência ou de qualquer outra fase da nossa vida, observámos fotos nossas na escola, em festas, em visitas de estudo, viagens e etc. Pensámos nos indivíduos que estavam presentes connosco e sobre o impacto que eles tiveram, logo após isto, surge-nos a questão “Como é que muitas dessas pessoas desapareceram da nossa vida?”
Desde pequenos que criámos laços de amizade, laços que aparentam ser únicos, especiais e acima de tudo que aparentam ser eternos, contudo a nossa perspetiva inicial mantém-se longe da realidade que presenciamos quando crescemos.

Tenho o hábito de comparar a amizade com uma árvore, cujos os seus ramos são os nossos laços criados com alguém, existem ramos que caem, alguns que quebram e outros que precisam de ser cortados, cabe-nos a nós determinar a melhor forma de cuidar dessa árvore.

Confesso que não faço parte do núcleo de jovens que conservou as amizades de infância, provavelmente como vários de vocês, já tive de todo o tipo de amigos, muitos que surgiram e desapareceram pelos mais variados motivos. Irei dividir este post em 3 fases que têm imenso impacto na problemática da amizade:

Fase 1 – Os primeiros amigos

Inicialmente começamos a formar o nosso grupo de amigos aos 6 anos, quando começámos a estudar. Nesta etapa, as amizades aparentam ser todas fáceis, “todo o mundo” é nosso amigo, existem relacionamentos que terminam mas que recomeçam logo no dia seguinte, no final do ensino primário somos obrigados a despedirmo-nos de alguns amigos que vão frequentar liceus/escolas diferentes e é nesse momento que começámos a fundar um círculo de amizade ligeiramente mais consistente.
Com a entrada numa escola diferente, somos confrontados com imensos colegas desconhecidos, inicialmente aprofundámos laços com amigos que já provinham da mesma que escola que frequentámos, porém, lentamente começámos a descobrir outros “miúdos” e a criar pequenos laços com eles que se vão tornando mais fortes até finalmente originar o nosso grupo de amigos. Algumas amizades da primária começam a desaparecer e outras continuam a estar integradas no nosso círculo, o tempo continua a passar, estamos a evoluir a nossa personalidade, a entrar na fase da puberdade e acima de tudo neste momento estamos a ter uma noção diferente do significado da vida.

Ascendemos finalmente o 9º ano, nesta fase somos confrontados com a escolha da escola secundária e da área de estudos que pretendemos estudar, a maioria dos integrantes do grupo vão estudar para locais diferentes, inicialmente aparenta ser fácil nos encontrarmos várias vezes, todos pensamos que o grupo se irá manter, entretanto, todos sabemos que isso não acontece.

Fase 2 – Concebemos amizades mais fortes e mais fracas

Estamos no 10º ano, não conhecemos ninguém na nossa turma, julgámos e rotulámos toda a gente, estávamos bem com o grupo que tínhamos no 9º ano mas eles já não estão connosco, só estamos juntos durante os fins de semana ou no regresso para casa no meio de pequenas conversas sem relevância durante os transportes públicos. Sentimos imensa falta de todos os nossos amigos até que considerámos necessário conversar com um dos colegas da turma nova repleta de gente desconhecida, a partir daí começamos a criar laços com esse colega e provavelmente depois com outros, lentamente nos conhecemos uns aos outros, por vezes esses “novos amigos” até nos conhecem melhor do que os nossos antigos amigos que estão cada vez mais ausentes.
É nesta fase que as amizades se tornam mais sólidas e mais inconsistentes em simultâneo, alguns amigos parecem verdadeiros, protetores, divertidos entretanto ao mesmo tempo deixam-nos desiludidos com determinadas frases/atitudes, outros sorriem sempre que estão connosco mas são falsos e só ambicionam observar a nossa queda, contudo, existe aquele amigo que se mantém constantemente ao nosso lado, que nunca nos abandona, que nos entende sem sequer nos pronunciarmos e que acaba por se tornar no nosso melhor amigo.
Durante os 3 anos de secundário acabámos por nos cruzar com diversos tipos de “amigos”, alguns desapareceram do nosso círculo, surgiram novos integrantes e outros reapareceram, mas no fim, apesar das divergências, todos ficámos maioritariamente bem uns com os outros, passámos vários momentos juntos numa das fases mais importantes da nossa vida, a fase em que deixámos de ser adolescentes e nos tornámos adultos.
Pessoalmente ainda mantenho contacto com alguns amigos do secundário mas confesso que já nada é como antes, algumas ligações desapareceram, outras enfraqueceram e algumas tornaram-se até se tornaram mais fortes, todos seguimos rumos diferentes, a maior parte decidiu lançar-se no mundo do trabalho, creio que fui o único que prosseguiu com os estudos, todavia, ainda me encontro às vezes com alguns velhos amigos e apesar da sensação já não ser a mesma de outrora, para mim, ainda é fantástico estar na sua companhia.

Fase 3 – A amizade no início da vida adulta

Após o secundário, somos encaminhados para um “mundo” totalmente diferente daquele que estivemos inseridos durante 12 anos, cada um de nós tem de optar pela estrada que pretende seguir, por outras palavras, temos de ponderar se continuámos o estudos ou se entrámos no mercado do trabalho, nesta etapa do post irei dar uma opinião de caráter mais pessoal sobre aquilo que me aconteceu e que provavelmente também aconteceu a todos vocês, leitores.
Inicialmente, na universidade, não conhecemos ninguém, somos apenas um indivíduo comum no meio de outros tantos iguais, as “turmas” são geralmente enormes, é impossível conhecermos toda a gente, até que tal como fazemos no secundário, começámos a relacionar mais com uma determinada pessoa e depois com outras, lentamente formámos um círculo íntimo sem darmos conta disso, até somos capazes de ter uma ótima relação com a maioria dos elementos da turma, dentro disso até podemos ter muitos “amigos”, mas incorporadamente temos um núcleo de 4 ou 5 sujeitos no máximo com quem nos entendemos e conhecemos melhor. Nesta fase o nosso círculo de relacionamentos pode dar imensas voltas Existem relações que aparentam valer a pena, pessoas que nos parecem entender mas que nos desiludem de várias formas, “amigos” que não são tão amigos como aparentam, alguns que não nos oferecem motivos para merecerem a nossa confiança, outros que se vão afastando lentamente e ainda existem aqueles que nos põem confusos e nos fazem questionar se são verdadeiramente “bons” amigos ou se fazem parte “clube dos fracos” , porém também existe o oposto, existem alguns que sempre se mantiveram connosco, que nos deram força quando precisamos e nos fizeram rir em vários momentos, outras amizades surgem ao fim de imenso tempo, são pessoas que sempre estiveram connosco, que até considerávamos amigas mas que nunca fizeram parte do núcleo e então eles começam a fazer parte da nossa vida, não sabemos se merecem a nossa confiança pois já a oferecemos a muitos que nos traíram, só sabemos que neste momento são eles os mais importantes e que acima de tudo esperámos desfrutar o máximo do nosso tempo com a boa energia deles e acima de tudo, um dia mais tarde, recordarmos dos bons momentos na sua companhia.

Em suma, neste momento temos um grupo de amigos mas no futuro podemos não os ter connosco, seja devido a conflitos, a desilusões ou até mesmo corrompidos pelo tempo e pela distância, devemos aproveitar todos os momentos ao lado deles para um dia mais tarde nos lembrarmos de todos esses momentos 😉

“Amizade é uma relação afetiva, a princípio, sem características romântico-sexuais, entre duas pessoas. Em sentido amplo, é um relacionamento humano que envolve o conhecimento mútuo e a afeição, além de lealdade ao ponto do altruísmo.” In Wikipedia

Anúncios

One thought on “A problemática das amizades

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s