A suposta liberdade de expressão

Estamos no século XXI, há mais de 40 anos que saímos de uma ditadura e há cerca de 70 que a 2ª Guerra Mundial terminou, desde aí que vivemos num mundo supostamente livre em que cada indivíduo tem a possibilidade de se exprimir, e o dever de ser respeitado pela sua opinião, assim como, pelas suas crenças e valores. No entanto, existem aberrações (presumo que este seja o termo mais adequado) que tentam controlar a liberdade de expressão.
Foi nesta tarde de quarta-feira, enquanto estudava, que fui noticiado pelo massacre que aconteceu  na sede do semanário “Charlie Hebdo” em Paris, culminando na morte de 12 pessoas e em 11 feridos, todos eles conectados ao ramo do jornalismo, sendo que por detrás deste massacre estava uma seita religiosa. Segundo diversas fontes, a causa deste massacre foi o facto de vingarem Maomé, visto que o jornal costumava publicar cartoons que satirizavam o Islamismo.

Tudo isto me faz questionar “Onde está a liberdade?”

Cada indivíduo é livre de se expressar e os restantes podem não aceitar mas têm o dever de respeitar, entretanto, neste caso não existiu respeito. Três aberrações extremamente cegas pela sua religião, consideraram-se Deuses com o poder de sentenciarem à morte 12 pessoas que somente se limitavam a transmitir a sua opinião perante um público. Sejam os cartoons polémicos ou não polémicos, nada justifica as medidas tomadas pelas 3 criaturas. Sou contra a pena de morte, todavia, sou totalmente a favor em casos de terrorismo, creio que seria a sentença certa para os autores do crime.
Não basta pensar nesta tragédia para uma sensação de revolta surgir em nós, isto também acontece noutros países (a maioria deles pertencem ao Médio Oriente), as aberrações por detrás deste cenário trágico estão habituadas a controlarem uma população oprimida e amedrontada, a criarem barreiras na conceção de liberdade de cada pessoa. O que vou referir a seguir, é cliché mas a escrita é a arma mais poderosa, estes grupos/seitas reagem assim porque se sentem ameaçados, pensam que a escrita e as formas de pensamento diferentes vão ajudar o seu sistema ditatorial a corromper.

Hoje, as aberrações tentaram silenciar um povo Francês, eles julgam-se com a autoridade de silenciar um povo livre que não lhes pertence e que sente nojo total deles. Está na altura de nos retaliarmos, de mostrarmos que somos livres e incontroláveis, a escrita continua a ser a nossa melhor arma.

#JeSuisCharlie (Teria nojo em ser isto)

Update:

Sinceramente, depois de uma reflexão, teria vergonha de ser Charlie, de não respeitar e de humilhar as crenças dos outros indivíduos. Criticar e/ou satirizar é diferente de humilhar.
Continuo a repugnar os terroristas e as suas práticas, acho que nada justifica o acto de roubarem a vida aos redatores mas estes foram um excremento do jornalismo.

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2 thoughts on “A suposta liberdade de expressão

  1. Raquel Dias da Silva diz:

    Sou estudante de Ciências da Comunicação, pelo que a liberdade de expressão é um assunto sensível para mim. Fui Charlie nas redes sociais depois do que aconteceu. Satirizar não é o mesmo que humilhar. Confesso que alguns dos cartoons do jornal francês são forçosamente chocantes, mas não acredito que os cartoonistas tivessem intenção de humilhar, mas sim de promover a reflexão sobre determinas crenças. Toda a gente tem direito às suas crenças e toda a gente deve ter direito a questionar não as crenças de alguém em específico, mas as crenças existentes no mundo. É uma forma de olharmos para a questão de uma perspectiva diferente, mesmo que não seja a mais agradável. Também toda a gente tem o direito de resposta, tal como os que se sentiram visados tinham todo o direito de escrever para o jornal a mostrar o seu desagrado. Mas actos terroristas não devem ser proibidos. Não tenho vergonha de ser Charlie, tenho vergonha dos Charlies hipócritas que por aí existem que consideram a liberdade de expressão nuns casos e a desrespeitam noutros. Também não sou apologista de excessos nem de nada que seja demasiado polémico, pelo que não tenho especial apreço pelos cartoons que o jornal fazia, mas defendo o direito de o fazerem.

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