Fifty Shades of Grey – Crítica

No Domingo à noite assisti ao filme que está na boca do mundo, “As 50 Sombras de Grey”. As minhas expetativas para o filme eram baixas, desde os primeiros trailers que antevia uma obra cliché, com um elenco horrível e uma realização bastante fraca, na verdade “Fifty Shades of Grey” surpreendeu-me ligeiramente em alguns aspetos e desiludiu-me ainda mais em outros. Esta crítica vai salientar-se somente no filme, porque não tenho qualquer mínima curiosidade em ler os livros.
Basicamente o argumento foca-se em Anastasia, uma jovem universitária que entrevista Christian Grey, um empresário de sucesso, eles acabam por se conhecer e envolvem-se num mundo erótico de sado-masoquismo. Confesso que o argumento é bastante básico e a temática de BDSM já foi abordada em inúmeras obras literárias e em filmes nos últimos 50 anos películas como “The Secretary” ou “Killing Me Softly” são um exemplo disso, vou esquecer esta contextualização histórica e centrar-me na crítica ao filme.

A trama é quase nula, os protagonistas conhecem-se e fazem sexo enquanto Anastasia passa o resto do filme a decidir se assina o contrato de sado-masoquismo. Durante 2 horas somos submetidos a cenas estúpidas, clichés, situações de sexo não explícito mas também somos confrontados com algumas cenas boas e que se afirmam como agradáveis surpresas. Um dos aspetos mais ridículos no roteiro é que todas as situações iniciais entre os protagonistas acontecem de forma rápida e forçada, parece que existe uma força invisível que os obriga a gostarem um do outro na primeira meia-hora de filme, eles acabam de se conhecer e algumas noites depois o Christian Grey já se preocupa com ela como se conhecessem há anos. Posso exemplificar na cena em que Anastasia sai com as amigas para uma discoteca, bebe demasiado e telefona para o Grey, numa situação real ele iria apenas rir-se com o assunto ou ignorar a chamada mas no filme o protagonista decide ser super protetor, surge para “salvar” uma mulher que mal conhece e dá um murro ao amigo de Anastasia que diz que a vai beijar segundos antes do Christian entrar em cena. Outro exemplo de como a história é forçada demonstra-se no facto de eles conhecerem-se há dias e quase fazerem planos para o futuro como se estivessem numa relação séria.

Relativamente ao campo das representações, não contem com um elenco digno de um Oscar ou com uma grande química entre a dupla de amantes. O desempenho da Dakota Johnson revela-se uma excelente surpresa, pensava que iria deixar muito a desejar mas enganei-me, porém ela é um pouco velha para interpretar uma jovem no fim da licenciatura.
O Jamie Dornan interpreta o maníaco Christian Grey, o ator mostra ser um erro de casting catastrófico, durante todo o filme somos apresentados a um ator que tem menos capacidade para se exprimir do que a Kristen Stewart, ele deveria interpretar uma personagem supostamente com uma personalidade forte mas em vez disso acaba por parecer um boneco que profere palavras sem qualquer sentido. Sinceramente o ator é fraco assim como o personagem que tenta interpretar porque é basicamente um pervertido que adora tratar as mulheres como objetos inúteis e espancá-las durante o acto sexual, ele pode ser atraente para vocês mas não podem contrariar o que referi.
É estúpido aceder ao Facebook e ler comentários de mulheres com baixo Q.I. em que expressam que adoravam ter um Christian Grey para elas. A minha questão para as mentes por detrás desses comentários é “gostavam de ter um homem que vos tratasse exclusivamente como um objeto sexual e vos espancasse 3 vezes por semana?“.

Pensava que a realizadora Sam Taylor-Johnson iria fornecer um aspeto demasiado artificial e amador a este projeto cinematográfico, mas enganei-me, o seu trabalho está longe de ser magnífico no entanto é competente, a única crítica neste parâmetro que tenho a apontar é a banda sonora com músicas pop que apesar de serem boas não deviam de ser utilizadas nas cenas de sexo porque retiram um pouco da atmosfera erótica. Quanto a estas cenas, estão dirigidas de forma excelente todavia podiam ser mais ousadas.

“Fifty Shades of Grey” manifesta-se numa proposta com um argumento fraco e com um personagem que é um tarado sexual violento que todas as mulheres parecem gostar, o filme é fraco mas tem alguns pormenores que vão deliciar o público mainstream, quanto aos apreciadores de bom cinema têm propostas muito superiores.

Nota: 3,5/10

Não percam tempo com o filme se têm curiosidade em aprender BDSM porque há livros e vídeos pornográficos que se debruçam nesse “mundo” de forma correta, mais intensamente e detalhadamente. Estamos no século XXI, não é crime aprenderem dicas sexuais através da leitura do kamasutra ou da visualização de um vídeo porno com o/a vosso/a parceiro/a.

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4 thoughts on “Fifty Shades of Grey – Crítica

  1. Raquel Dias da Silva diz:

    Também já vi o filme e devo fazer uma crítica cinematográfica no meu blogue (ou pelo menos um apontamento nos likes (e dislikes) da semana) em breve. Mas resumidamente eu, que já li o primeiro livro, ri-me na primeira meia hora, porque concordando contigo é tudo demasiado apressado ou, pelo menos, se o objetivo era explicar a atração inexplicável entre os dois protagonistas foi pouco eficaz, porque pareceu forçado. A parte em que ele lhe diz que se fosse dele nunca mais se sentava e depois morde a torrada é simplesmente ridícula, porque o ator é pior que mau, tem uma postura terrível, parece um robô com as articulações partidas do princípio ao fim do filme. De resto, acabei por me surpreender pela positiva, no geral. As cenas de sexo estão suficientemente sensuais na minha opinião. Quem quer ver porno pode ver na internet.

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  2. Diana diz:

    Não vou dizer que este comentário ao filme não faz sentido porque não leste os livros, mas, de facto, se tivesses lido havia alguns aspectos que percebias o porquê de ser assim.
    A história tem trama, apesar de não parecer e quem não leu achar que é só um prevertido que adora dar palmadas numa virgem, não é tão nítido no filme? Não… Mas existe história para além disso. Sei que te ficaste só na crítica do filme mas neste caso isto não pode só ser visto à luz do filme, tal como outros filmes que têm um livro.
    Quanto às participações, não me vou alongar muito… Não achei que nenhum dos dois fosse indicado, especialmente porque o Jamie tem um ar simpático e o Grey era suposto estar sempre com cara trancada.
    As cenas de sexo estão boas, tendo em conta que o objectivo não era ser, de todo, um pornográfico mas sim algo sensual e excitante.

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  3. Rolando Lobo diz:

    “Esta crítica vai salientar-se somente no filme, porque não tenho qualquer mínima curiosidade em ler os livros.” Esta frase é ofensiva para a língua portuguesa e para a lógica, por favor tenta ser menos agressivo da próxima vez.

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