Unfriended – Crítica

No início do ano, o trailer sobre um filme de terror que se passava integralmente no ecrã de um computador, causou impacto nas redes sociais. Pessoalmente, como não é novidade, sou fã de filmes de terror, nomeadamente de obras que se apresentem com um conceito fresh, diferente e longe dos tradicionais clichés a que este género já nos habituou. Lembro-me de agendar o “Unfriended” no IMDB e de todas semanas procurar notícias acerca da data de estreia em território nacional, mas para minha frustração, nunca existiram indícios sobre a sua estreia cá, apesar de existir uma forte corrente de espectadores (nomeadamente jovens) ansiosos por o verem.

A trama desenrola-se em torno de Laura Barns, uma vítima de cyberbullying que se suicidou após um vídeo seu em que surgia bêbada e quase em estado de coma alcoólico se ter tornado viral. Um ano mais tarde, um grupo de amigos reúnem-se para uma conversa no Skype, no entanto eles começam a ser confrontados por um visitante estranho que se assume como Laura Barns, conhecendo todos os segredos dos amigos e prometendo vingar-se.
Penso que após sabermos um pouco sobre o enredo, é impossível não ficarmos indiferentes à alusão da temática sobre cyberbullying e claro sobre todo o mistério envolvente nesta videochamada.

“Unfriended” é um filme repleto de TANTO mas TANTO potencial, desde pela aparência diferente do habitual, pois aqui assistimos unicamente do ponto de vista do ecrã de um laptop, pelo mistério sobre o autor misterioso da video-chamada ou pela temática do bullying que está tanto em voga. Infelizmente esse potencial resume-se a uma “tentativa de ser diferente” manifestando-se num filme fraco e cheio de pormenores incoerentes.

Primeiro nesta crítica quero salientar que o formato é arrojado, nunca me passou pela cabeça poder assistir a algum filme que se passasse integralmente num computador, porém, esta opção apesar de ser inovadora, torna-se bastante aborrecida e a ausência de uma banda sonora contribui ainda mais para todo o aborrecimento causado. Gosto de ver filmes parados quando consigo retirar conteúdo de situações aparentemente aborrecidas, o que não acontece aqui.
São imensas as cenas em que assistimos a trocas de mensagens triviais de um grupo de jovens fúteis, burros e estereotipados. Os argumentistas querem que nos preocupemos com eles, com o peso das suas vidas, entretanto, isso é impossível porque somos despejados no meio de uma intriga de adolescentes aparentemente retirados de um dos reality shows mais básicos da MTV. Quando a atmosfera se torna mais pesada, todos se limitam a gritar e a discutirem uns com os outros, fazendo com que o espectador sinta que está a visualizar um vídeo de 80 minutos sobre um bando de miúdos desconhecidos.

A meio, a personagem misteriosa identificada como Laura Barns prova seu potencial ao começar a matar cada um dos jovens em situações amadoras e é aqui que o realizador e os argumentistas tratam o espectador como se fosse um indivíduo pouco inteligente atirando-nos à cara cenas totalmente estúpidas e incoerentes.
As situações em torno da primeira morte são tão parvas que ainda não consegui decifrar se são fruto de um argumentista burro ou uma crítica cínica à juventude atual. Na cena em questão, observámos uma jovem supostamente morta, os amigos que assistiram a tudo mantêm-se com a maior normalidade como se nada demais se tivesse passado.
Numa cena após a morte descrita, o estranho ameaça que quem desligar a chamada irá morrer. Os protagonistas em vez de pegarem num telemóvel e contactarem a polícia enquanto permaneciam conectados ao Skype, decidem deixarem-se ser manipulados pelo “vilão”.
Não me posso esquecer de mencionar a situação mais incoerente e provavelmente a mais ridícula que assisti em cerca dos 900 filmes que vi na minha vida, perto do final, depois de a maioria dos seus colegas estarem mortos, a suposta vítima principal decide pedir ajuda a alguém. Qualquer ser racional telefonaria para os serviços de emergência, enquanto que ela prefere navegar no “chatroulette” até encontrar alguém capaz de a ajudar.
Finalmente, pergunto-me se no meio de tantos gritos histéricos, nenhum dos progenitores das criaturas surgiria em cena para tentar saber o que estava a suceder.

“Unfriended” está cheio de erros, fruto de um argumento preguiçoso e idiota, tem potencial sobretudo na temática do cyberbullying, contudo resultaria melhor numa curta-metragem de 20 ou 30 minutos.
Para mim, não é somente o pior filme de 2015 como deve figurar no top 10 dos piores que assisti.

Nota: 1,5 em 10

Se a sociedade atual for tão burra, egoísta e estúpida como os jovens do filme, talvez esse seja o motivo pelo qual os extraterrestres não contactam connosco.

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8 thoughts on “Unfriended – Crítica

  1. Pingback: Um Alien aos 20
  2. O Anonymo deve ser um professor de português obcecado com demasiado tempo livre em mãos. Na minha opinião, as únicas coisas que poderiam ser melhoradas no texto são o excesso de anglicismos (fresh, laptop, etc.) e a repetição excessiva da palavra “incoerente”. De resto, está fantástico e foi uma agradável surpresa, visto que eu mesmo iria sugerir uma crítica a este filme, tendo em conta o gosto do Pedro por filmes de terror alternativos, como o já referido “It Follows” (ao qual ele nunca chegou a fazer uma crítica como prometeu!).

    PS: Pedro, a sério que manténs uma contagem de todos os filmes que vês? Uau.

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  3. Anonymo diz:

    Olá Pedro,
    acompanho com alguma regularidade as tuas publicações e venho, através deste comentário, fazer-te algumas críticas que, a meu ver, ser-te-ão proveitosas para o futuro.

    Relativamente a este post, sugiro a revisão do texto pois encontrei vários erros:
    a) falta de demarcação das vírgulas (informação acessória vs informação essencial)
    b) uso dos marcadores discursivos de forma inadequada
    c) linguagem demasiado coloquial e agressiva numa crítica: “cenas totalmente estúpidas”, “decifrar se são fruto de um argumentista burro”
    d) simplicidade do vocabulário
    e) Falta de progressão lógica: “”Unfriended” está cheio de erros, fruto de um argumento preguiçoso e idiota, tem potencial ”
    f) uso do acordo ortográfico

    Segue uma proposta de correção que, ainda, pode ser melhorada.

    No início do ano, o trailer sobre um filme de terror, que se passava integralmente no ecrã de um computador, causou impacto nas redes sociais. Pessoalmente, como não é novidade, sou fã de filmes de terror, nomeadamente de obras que se apresentem com um conceito fresh, diferente e longe dos tradicionais clichés a que este género já nos habituou. Lembro-me de agendar o “Unfriended” no IMDB e de todas semanas procurar notícias acerca da data de estreia em território nacional mas, para minha frustração, nunca existiram indícios sobre a sua estreia cá, apesar de existir uma forte corrente de espetadores (nomeadamente jovens) ansiosos por o verem.

    A trama desenrola-se em torno de uma vítima de cyberbullying, Laura Barns, que se suicidou após um vídeo seu, em que surgia bêbada e quase em estado de coma alcoólico, se ter tornado viral. Um ano mais tarde, um grupo de amigos reúnem-se para uma conversa no Skype, no entanto eles começam a ser confrontados por um visitante estranho que se assume como Laura Barns, conhecendo todos os segredos dos amigos e prometendo vingar-se.
    Penso que após sabermos um pouco sobre o enredo, é impossível não ficarmos indiferentes à temática do cyberbullying e, claro, sobre todo o mistério envolvente nesta videochamada.

    “Unfriended” é um filme repleto de TANTO mas TANTO potencial, desde a aparência diferente do habitual, pois aqui assistimos unicamente do ponto de vista do ecrã de um laptop; pelo mistério sobre o autor misterioso da videochamada ou pela temática do bullying, que está tanto em voga. Infelizmente, esse potencial resume-se a uma “tentativa de ser diferente” manifestando-se num filme fraco e cheio de pormenores incoerentes.

    Primeiro, nesta crítica quero salientar que o formato é arrojado e que nunca me passou pela cabeça poder assistir a algum filme que se passasse integralmente num computador, porém, esta opção apesar de ser inovadora, torna-se bastante aborrecida e a ausência de uma banda sonora contribui ,ainda mais, para todo o aborrecimento causado ao espetador. Gosto de ver filmes parados quando consigo retirar conteúdo de situações aparentemente aborrecidas, o que, todavia, não acontece aqui.
    São imensas as cenas em que assistimos a trocas de mensagens triviais de um grupo de jovens fúteis, burros e estereotipados. Os argumentistas querem que nos preocupemos com eles, com o peso das suas vidas, mas isso é impossível porque somos despejados no meio de uma intriga de adolescentes aparentemente retirados de um dos reality shows mais básicos da MTV. Quando a atmosfera se torna mais pesada, todos se limitam a gritar e a discutirem uns com os outros, fazendo com que o espetador sinta que está a visualizar um vídeo de 80 minutos sobre um bando de adolescentes desconhecidos.

    A meio, a personagem misteriosa identificada como Laura Barns prova o seu potencial ao começar a matar cada um dos jovens em situações amadoras e é aqui que todos – o realizador e argumentistas – tratam o espetador como se fosse um indivíduo pouco inteligente atirando-nos à cara cenas totalmente estúpidas e incoerentes.
    As situações em torno da primeira morte são tão parvas que ainda não consegui decifrar se são fruto de um argumentista burro ou uma crítica cínica à juventude atual. Nela observámos uma jovem, supostamente morta, e os amigos que assistiram a tudo e que, simplesmente, mantêm-se com a maior normalidade como se nada demais se tivesse passado.
    Numa cena, após a morte descrita no parágrafo anterior, o estranho ameaça que quem desligar a chamada, irá morrer. Os protagonistas em vez de pegarem num telemóvel e contactarem a polícia enquanto continuavam conectados ao Skype, decidem deixarem-se ser manipulados pelo “vilão”.
    Não me posso esquecer de mencionar a situação mais incoerente e, provavelmente, a mais ridícula, que assisti em cerca dos 900 filmes que vi na minha vida, perto do final, depois de a maioria dos seus colegas estarem mortos, a protagonista decide pedir ajuda a alguém. Qualquer ser racional telefonaria para os serviços de emergência, mas ela prefere navegar no “chatroulette” até encontrar alguém capaz de a ajudar.
    Finalmente, pergunto-me se no meio de tantos gritos histéricos, nenhum dos progenitores das criaturas surgiria em cena para tentar saber o que estava a suceder.

    “Unfriended” está cheio de erros, fruto de um argumento preguiçoso e idiota, tem potencial sobretudo na temática do cyberbullying, contudo resultaria melhor numa curta-metragem de 20 ou 30 minutos.
    Para mim, não é somente o pior filme de 2015 como deve figurar no top 10 dos piores que assisti.”

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