Scream Queens – Como não acabar uma série em grande

Antes de iniciar esta análise, tenho de avisar sobre os inúmeros spoilers relativos à série, nomeadamente sobre algumas reviravoltas e a identidade do misterioso serial killer.

Há algum tempo atrás, escrevi um post em que comparava as produções “Scream Queens” e “Scream: Tv Series”, nesse post elogiei a primeira, referi que começou mal mas que acabou por me surpreender. Infelizmente a sua qualidade entrou em declínio nos últimos 4 ou 5 episódios.

Assisti à transmissão dupla dos dois últimos episódios em simultâneo com os EUA. Apesar da série ter perdido alguma da sua qualidade, ainda me mantinha interessado em saber quem era o Red Devil, acompanhei várias teorias elaboradas por fãs e criei a minha em que Grace era a cabecilha do núcleo de assassinos por inúmeras razões. As expetativas sobre os dois episódios finais eram imensas, esperava um desfecho que “atasse todas as pontas soltas” e acabei por não obter  o pretendido, o penúltimo episódio foi excelente, mas o último foi alvo de uma conclusão repleta de “buracos” no argumento.

SPOILERS A PARTIR DE AGORA!

Quem é o Red Devil?
Existem 4 criminosos (Boone, Gigi, Pete e Hester), esta última foi revelada como o derradeiro assassino numa cena do último episódio, “Final Girls”, sem qualquer efeito surpresa. Confesso que fiquei desiludido pelo Ryan Murphy, criador de “Scream Queens”, a ter escolhido apenas pela sua amizade com a atriz Leah Michelle em vez de selecionar qualquer outra personagem apropriada.

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Incoerências


Conversou com o inimigo sem saber que ele estava dentro do próprio quarto:

No penúltimo episódio intitulado “Dorkus”, Pete confessa a Grace que colaborou nos assassinatos que assolaram a universidade de Wallace, ele tenta denunciar a identidade do verdadeiro homicida mas este surge de dentro de um armário e mata-o antes de revelar quem se encontra por detrás do terrível fato vermelho.
Provavelmente não se lembram, mas antes de ser interrompido pela protagonista e consequentemente assassinado, Pete conversava no telemóvel com o Red Devil, expliquem-me como é que durante esta conversa ele não ouviu a voz  de dentro do armário.

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Sam supostamente conhecia o serial killer:
Para quem não se lembra, Sam, a rapariga lésbica de origens asiáticas, antes de morrer no episódio “7 Minutes in Hell”, conseguiu retirar a máscara do vilão e disse que o conhecia.
Segundo o que li em vários tópicos do IMDb ela não partilhou cenas com Pete, Boone ou Gigi, por isso poderiamos assumir que foi Hester que a matou, contudo, no último episódio, Hester confessou à Dean Munch que Pete foi o único estudante que assassinou. Então, quem matou Sam? Será que Ryan Murphy estava inicialmente a pensar em outra pessoa para o papel do diabo vermelho? Ou existe um quinto elemento neste grupo de sádicos?

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A morte de Mrs. Bean:
No primeiro episódio Chanel combina com Mrs. Bean um plano para assustar as candidatas à fraternidade, a estratégia passa por colocar a cabeça da empregada numa fritadeira desligada com óleo frio. Pete e Grace eram as únicas pessoas que poderiam conhecer o esquema, pois estavam perto de delas nesse momento. No entanto, como é que a personagem interpretada por Leah Michelle descobriu e sabotou a intenção de Chanel?

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Quem decapitou Gigi?
Pete apunhalou Boone e consequentemente ele foi a única vítima de Hester, então quem aniquilou Gigi?

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O flashback de Grace:
No episódio “Thanksgiving” Wes confronta a filha dizendo que a viu a conversar com o Red Devil, ela defende-se ao tentar provar que este era o seu namorado e que estavam a entregar folhetos para saberem se alguém tinha visto o assassino. Estranhamente, a situação do flashback aconteceu no primeiro episódio quando ela se dirigia para a mansão da das Kappa, antes de conhecer Pete. Supostamente filmaram 3 ou 4 finais diferentes, será que inicialmente ela foi planeada para ser o assassino até Ryan mudar de ideias?

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Porque mataram personagens inocentes?
Segundo Hester, para além de vingar a morte da sua mãe ocorrida há 20 anos atrás, ela pretendia mudar os padrões elitistas da fraternidade “Kappa Kappa Tau” e aceitar todo o tipo de pessoas independentemente das suas características físicas e psicológicas. Se a intenção da sua vingança era essa, porque decidiu que as candidatas “feias” ou “estranhas” deviam morrer primeiro?

O último episódio inteiro:
No último episódio, “Final Girls”, a vilã tenta incriminar as Chanels como as autoras do massacre na universidade de Wallace. Para isso, a série invoca uma série de tentativas estúpidas, inadequadas e sem qualquer lógica. Não irei escrever comentários, visto que são imensos:
– Que tipo de pais incriminam uma filha a troco de dinheiro?
– Hester tem todas as provas para incriminar as Chanels, a polícia não é capaz de investigar como ela obteve acesso a todos os dados?
– Como é que a vilã foi ferida no olho com um sapato e recebeu alta hospitalar tão rapidamente?
– Que raio de asilo alberga duas crianças? Elas não deveriam ir para um orfanato?
– As Chanels foram (falsamente) incriminadas por um massacre, segundo a jurisdição dos EUA não deveriam ter recebido pena de morte?

Tudo bem que é uma sátira mas existem situações que ultrapassaram os limites do ridículo!

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O que correu mal?

Banho de Sangue
Antes de “Scream Queens” começar, o criador da série prometeu um enorme “banho de sangue” onde personagens importantes iriam morrer semanalmente e apenas 4 personagens iriam sobreviver, no fim de tudo obtivemos 9 sobreviventes e à exceção de Pete e Gigi, só os personagens secundários faleceram.

Confronto Final
Esta produção foi concebida como uma homenagem aos filmes de terror do sub-género slasher dos anos 80 e 90, notou-se a falta do tradicional confronto final entre os sobreviventes e o vilão que ocorre em TODAS as obras de terror, até mesmo das produções mais fracas. Aguardei uma cena em que a Zayday, a Grace ou qualquer uma das Chanels retirassem a máscara do inimigo e o confrontassem. Durante o último episódio eu e provavelmente milhares de fãs estivemos à espera de algo que acabou por não existir.

O Red Devil terminou bem
Fiquei irritado com o desfecho, a Zayday e a Grace eram personagens tão fortes e determinadas, entretanto acabaram envolvidas na ignorância e não suspeitaram que o verdadeiro criminoso continuava a viver entre elas. Quanto a este, conseguiu cumprir a sua missão, mostrou que o crime compensa e provavelmente prevaleceu feliz para sempre.
Espero que corrijam tudo em “Scream Queens: Summer Camp”, que o projeto que Hester  elaborou seja descoberto no início, as Chanels absolvidas dos crimes e que um novo assassino surja para “tapar” todos os buracos do argumento.

Em suma…

“Scream Queens” começou com um episódio de estreia mediano, contudo foi melhorando no decorrer da temporada e a partir daí todo o seu interesse começou a cair consideravelmente. Fiquei desiludido com quase tudo, desde as mortes que só aconteceram maioritariamente em personagens secundárias, com a comédia falhada e todas as incoerências que surgiram ao longo dos episódios. Confesso que esperava revelação melhor em dois pontos que falharam: primeiro, presumo que o facto de revelarem a identidade do assassino através de um monólogo no início do episódio quebrou todo o efeito de climax/choque, e segundo, a Hester era demasiado óbvia, independentemente de ter elaborado uma teoria sobre Grace, gostaria de ser surpreendido com outra personagem inesperada, por exemplo: Chanel, Chanel #5, Wes ou alguém que não estivesse verdadeiramente morto.
Sinceramente, não estou motivado para a season 2 porque tenho quase a certeza que será igual ou pior. Ryan Murphy está a trabalhar em imensos projetos e infelizmente não consegue equilibrar a qualidade das suas obras, é uma pena observar tanto potencial a ser desperdiçado.

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One thought on “Scream Queens – Como não acabar uma série em grande

  1. Desde o início, “Scream Queens” mostrou que era uma série que exigia ao espetador que suspendesse a sua incredulidade perante o ridículo e o impossível, por isso nem liguei a todos os disparates. A série teve os seus momentos engraçados – elejo a Chanel a gozar com a multidão ávida de consumidores durante a Black Friday como um dos momentos mais hilariantes – e foi impulsionada ao longo dos (desnecessários) 13 episódios pelo suspense. Acabou por não ser cansativa como “American Horror Story” porque – ao contrário desta – não depende da necessidade de chocar constantemente o espetador. Emma Roberts brilhou do início ao fim – se bem que, na minha opinião, ela interpreta sempre a mesma personagem em todos os projetos. Nick Jonas e Ariana Grande foram escolhas de elenco super inteligentes e ajudaram a promover a série. Era uma das séries que mais queria ver este ano e, apesar de não ter sido brilhante, ainda assim foi uma das melhores apostas televisivas de 2015, na minha opinião. No entanto, afundou nas audiências porque é uma homenagem aos slashers dos anos 80 e contraria as tendências da atualidade – zombies e aventuras épicas recheadas de nudez e dragões. Mas isso só a torna uma pérola no meio do resto. Ótimo post 😉

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