Resumo dos Oscars: Vencedores, Leonardo DiCaprio, Perdedores, Mad Max e #OscarsSoWhite

Como todos sabemos, a cerimónia dos Oscars decorreu na madrugada passada em Los Angeles, e tanto eu como o Leonardo DiCaprio podemos caraterizar o evento como uma noite repleta de agradáveis surpresas.
Spotlight venceu a categoria de Melhor Filme e de Melhor Argumento Original, o excelente filme de ação Mad Max consagrou-se como o vencedor quantitativo, arrecadando as merecidas 6 estatuetas nas categorias técnicas, The Revenant, a magnífica obra de Alejandro G. Iñárritu protagonizada por Leonardo DiCaprio, venceu as categorias de Melhor Fotografia, Melhor Realizador e sucessivamente de Melhor Ator Principal, sendo este o primeiro Oscar do Leonardo. Brie Larson venceu o troféu como Melhor Atriz Principal pelo drama excecional Room, Alicia Vikander ganhou justamente como Melhor Atriz Secundária por Danish Girl e Mark Rylance venceu como Melhor Ator Secundário pelo seu desempenho em Bridge of Spies.


Injustiças
591424-970x600-1Na minha opinião, esta edição foi maioritariamente justa na entrega dos prémios. Faltou a nomeação do pequeno grande ator Jacob Tremblay (fotografia do lado direito), ele teve uma interpretação assombrosa em Room e provavelmente, se fosse nomeado, seria o único ator com sérias hipóteses de “roubar” o troféu ao DiCaprio. Achei desmerecido o Ex-Machina ter-se consagrado na categoria de Melhores Efeitos Visuais. O filme é muito bom, mas a nível visual jamais se equipara a obras como Star Wars VII ou Mad Max, penso que a sua vitória é apenas uma desculpa da Academia por este não ter recebido uma nomeação para Melhor Filme. Concluindo este ponto, tenho de confessar que fiquei desiludido por Mark Rylance ter vencido o Oscar como Melhor Ator Secundário em vez de Tom Hardy, entretanto, saliento que não posso julgar pois não tive hipótese de ver a sua prestação.
oscarhunt-martian-articlelargeQuanto aos grandes perdedores da noite, esperava mais de Room. Bridge of Spies e The Big Short tinham ambos 5 nomeações e arrecadaram apenas um Oscar, a sétima sequela de Star Wars não venceu nenhuma das suas 5 nomeações nas categorias técnicas, mas pior aconteceu ao presunçoso The Martian que não venceu nenhuma das suas 7 nomeações. Aliás, tenho de confessar que todo o meu ódio de estimação por este filme deve-se ao facto de ser uma obra sem identidade que se perdeu na linha que separa um blockbuster de verão de uma película produzida para a obtenção de prémios, não é um mau filme mas não é digno de ser nomeado. O meu ódio também se deve ao facto de não suportar o seu realizador Ridley Scott (ele tem filmes excecionais no seu currículo mas também tem enormes fracassos e desgraças… Além disso, foi o principal responsável por destruírem uma sequela direta do Alien que estava a ser escrita em 2015 e revelava um enorme potencial com o regresso de algumas caras conhecidas para os fãs desta saga).

Mad Leo: The Furious Bear
300456A internet incendiou-se de memes e de piadas com os 6 troféus de Mad Max. Para quem ainda não viu, este é o melhor filme de ação de 2015 e um dos melhores de sempre, nunca o considerei como um possível vencedor na categoria de Melhor Filme mas tinha a certeza que iria “limpar” as categorias técnicas e potencialmente de Melhor Realizador. George Miller e o Alejandro G. Iñárritu eram os candidatos mais fortes na disputa deste prémio.
Mais tarde, a internet explodiu com o tão aguardado anúncio de Leonardo DiCpario como Melhor Ator Principal por The Revenant. Muitos críticos, assumiam que o ator não merecia o Oscar devido à sua interpretação cerca de 30 linhas de diálogo em toda a obra, mas como todos sabemos, a expressividade é um dos fatores mais importantes (se não fosse, a Kristen Stewart já teria vários prémios no currículo), e este ator entrega-se de corpo e alma numa interpretação arrepiante e fenomenal ao longo de 2h30m.

#OscarsSoWhite
protesti_oscar_sowhite_epaVou debruçar-me sobre um assunto mediático e delicado, refiro-me a toda a (suposta) temática racista envolvente em torno deste evento que ontem foi abordada com algum humor e sarcasmo por parte do apresentador Chris Rock. Para vos contextualizar, a hashtag #OscarsSoWhite emergeu nas redes sociais devido às inúmeras críticas apontavam para uma seleção racista por parte da Academia no processo de eleição dos nomeados. Surgiram notícias e comentários que defendiam que esta cerimónia valorizava o trabalho produzido por pessoas de raça branca e ignoravam os atores/realizadores de raça negra, chegando a existir ameaças de boicote a esta edição da famosa entrega de prémios.
Na minha perspetiva, os Oscars foram racistas até meados dos anos 80 ou até mesmo inícios dos anos 90, penso que atualmente estão a unir esforços para extinguirem o mito do racismo nesta cerimónia, podemos observar isso quando 12 Years Slave venceu o prémio de Melhor Filme em 2014, é quase certo que se consagrou nessa categoria apenas para limpar toda a porcaria racista (desculpem a palavra) desde o início destas premiações. Sim, os Oscars da Academia já foram racistas mas creio que essa tendência esteja quase extinta.

Para quem está a questionar “Porque é que não há nomeados de raça negra?“, eu explico:
Como é possível existirem nomeados se a indústria do cinema é racista e preconceituosa?
Infelizmente, a indústria continua a aparentar ter receio de incluir atores negros nos seus filmes. Se prestarem atenção, pensem na quantidade de grandes produções que incluiram atores negros em papéis relevantes neste ano… Eu não me estou a lembrar de nenhum, exceto o elenco do filme Straight Outta Compton. Conseguem entender o que estou a tentar afirmar?
Estamos a sofrer uma brainwash por parte da indústria do cinema. Normalmente, os atores de raça negra são incluídos como personagens secundárias em filmes de ação de qualidade duvidosa, as atrizes são limitadas a um papel menor em dramas e são poucos os artistas que conseguem alcançar o sucesso comercial. Os ativistas não têm de unir esforços para mudarem os Oscars, têm de tentar mudar todo o cinema, têm de obrigar esta indústria a abrir portas para a diversidade. Assim poderemos ter cerimónias em que os principais nomeados serão compostos por artistas de várias raças ou orientação sexual diferente daquilo que eles consideram o padrão normal.oscars